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Pensão protegida, o que é, o que pode ser?

Publicação - Sana Arte

Casas também podem enlouquecer? Uma pensão protegida é para acolher! As pensões protegidas foram criadas como alternativa de moradia a portadores de sofrimento psíquico quando da reforma manicomial. Em Porto Alegre, foram criadas várias delas. Só visitando para se dar conta de quão poucas têm condições de atender com dignidade. Existem algumas que são depósitos de doentes mentais abandonados pela família e também pelo poder público. Pode-se até denunciar a falta de higiene e outras necessidades de atenção. Mas denunciando, onde irão parar aquelas pessoas? Na rua? Quem lhes dará remédios? Quem as alimentará?
Para escolher uma pensão protegida - que deve funcionar como uma casa com cuidadores permanentes, comida adequada, roupa lavada e medicação dada com responsabilidade - é preciso rodar pela cidade. Inicialmente, é verificar se as pessoas que vão cuidar são afetuosas. Um portador de sofrimento psíquico não pode ser cuidado por pessoas insensíveis e que não tenham a capacidade de compreender as dores que eles sentem. E é preciso ter traquejo, quer dizer, habilidade para lidar com eles. A segunda coisa é que a casa tem que ter cara de casa. Percebe-se muito bem quando existem mulheres em uma pensão protegida. São pequenos detalhes como enfeites, uma plantinha, o cheiro de casa limpa, a cozinha demonstrando capricho. Os quartos não podem ter cheiro de urina ou de roupa suja. As pessoas que estão ali demonstram tranquilidade e alegria.
Existe legislação para controlar esses estabelecimentos (responsabilidade da Vigilância Sanitária da Prefeitura Municipal): os remédios devem ser controlados, é preciso armários para as coisas pessoais de cada um.
A pensão protegida não é pensão carcerária. É como se fosse uma casa de família, onde as pessoas se unem com o objetivo de cuidar de outras. É preciso que saibam dar limites, exerçam controle quando necessário, tenham bom contato com os familiares para intervir em caso de risco e que possam tomar medidas emergenciais em caso de surto.
Pessoas com transtornos mentais, que moram em lugares onde os cuidados são amorosos e os limites claros, desenvolvem mais autonomia e respeito por si próprios. Ao mesmo tempo, a família pode relaxar, cuidar de suas necessidades e atendê-lo com muito mais carinho e atenção em momentos mais graves. A maior dificuldade não é do portador de sofrimento psíquico, que convive com outros e faz outros vínculos, o que em sua casa não faria. A maior dificuldade é o cuidador familiar se sentir culpado como se estivesse abandonando aquele membro do grupo familiar, como se ao dar ao outro o direito de autonomia, passe a não saber o que fazer do seu tempo livre. Na verdade, conter em casa com estresse e conflitos não resulta em qualidade de vida para ninguém.

Existem outras alternativas, quando o portador de sofrimento tem melhores condições e pode morar com alguém em uma casa alugada, que precisa ser supervisionada com freqüência. São várias as alternativas. Rotas que vêm sendo criadas, discutindo-se com outras pessoas as necessidades de ambos. O importante é não desesperar. E não achar que só a família é capaz de cuidar. Autônomos, eles são mais saudáveis, sentem-se mais livres e responsáveis pelos seus atos e convivem com os seus familiares sem tanto sofrimento pois as visitas são para matar as saudades e sentir que fazem parte da família. E sair de casa é o que todos os filhos fazem ao se tornarem adultos. Por isto, eles também se sentem mais inteiros e felizes.


Por Marilice Costi 

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