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O abraço, mais que acolhimento! - Marilice Costi

Publicação - Sana Arte

 

Falta muito acolhimento aos cuidadores, apesar de toda a cultura que permeia as relações no século XXI. Acolher significa hospedar, agasalhar, receber, atender, aceitar, dar ouvidos a, abrigar. Quando você abraça alguém, divide com este alguém o seu espaço pessoal e abraça toda a sua história[1]. Talvez seja por isso que tantas pessoas não conseguem se entregar ao contato físico do abraço, pois é preciso ter lugar dentro de si para ceder ao outro.

Todo corpo é repleto de memórias. Cuidar do Ser é cuidar do outro que tem uma face – um corpo que tem um semblante único.[2] Ao mobilizar seus conteúdos, é preciso delicadeza. Há corpos que não permitem aproximações devido a traumas de maus cuidados. Tais aproximações só existirão se ele conseguir compartilhar sua história e para isto será preciso o acolhimento de alguém.

Como exercer o cuidado se quem precisa não quer saber de cuidados? O movimento em direção ao outro não é fácil. O cuidador que não sabe dos próprios registros que carrega no seu corpo-memória, que segurança terá para ceder espaço interno ao outro?

A Arteterapia, através de seus recursos expressivos, pode facilitar uma brecha, permitir que se exerça o cuidado sem invadir, que se compartilhe sem machucar. Um cuidador necessita conhecer para compreender, auxiliar, proteger. Medo, raiva, mágoas ou outro sentimento negativo guardado por alguém, que deveria ter sido cuidado algum dia, poderão aflorar em hora imprópria.

O cuidador está o tempo todo dando e recebendo informações. Seja na troca de olhares, seja na troca de uma roupa da pessoa que cuida. Ela percebe o cuidador pelo olhar, pelo movimento, pelo tom de voz. Por isto, há pessoas que rejeitam certos cuidadores, porque eles não lhe passam o que precisam sentir: segurança e afeto, alívio para suas dores através de alimento, remédios, higiene, atenção.

O ato de acolher é demonstrado em toda expressão corporal. No abraço, partilha-se a energia capaz de sanar dores psíquicas e/ou aliviar enfermidades. E, ao acolher a história do outro, também se recebe vida e energia do outro, transfere-se energias, faz-se uma “transfusão de almas”[3], quando se pode transmitir uma mensagem de reconhecimento do valor e excelência daquele indivíduo. Além disto, o abraço reafirma a confiança nos próprios sentimentos.

[1] LELOUP, 1996.

[2] LELOUP, 2007, p.28.

[3] CAMARGO, 2008.

 

Artigo Completo no livro: Arteterapeuta, um cuidador da psique. (org.) Sonia Bufarah Tommasi. São Paulo, Vetor editora, 2011.

 

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