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Tempos Frágeis - Marilice Costi - Ed. Movimento

Publicação - Sana Arte

R$34,90

ISBN: 978-85-7195-141-9
Editora: Movimento

 "Tudo durou o tempo suficiente para que se extinguisse o encanto e a realidade se fizesse forte." Essa frase, tirada do conto Descartável, talvez seja a que melhor define Tempos frágeis, coletânea de contos com que Marilice Costi brinda o leitor e a literatura gaúcha.

Ocorre que a atmosfera dos seus contos é forte, densa, transbordante da realidade bruta, tanto mais bruta quando se assume como normalidade. O que é o final, por exemplo, deAbuso? "Na rua, abre o guarda-chuva e acompanha Teófilo até o carro a caminho do manicômio." Ou de Ele, ela e Marcos, quando o narrador, testemunha de uma vida, manifesta-se diante da morte:
"Sentirei falta do seu abraço. Mas não derramarei uma lágrima. Finalmente, ela descansou." É o que surpreende o leitor.

Marilice Costi é uma fina crítica da realidade, das relações interpessoais falidas, da miséria, da exclusão social, dessa que, de tão acostumados, quase já não percebemos, da solidão. É quando a literatura assume seu papel de falar por aqueles que não têm voz, aqueles como Jaciara que "Perdia novamente, como vinha perdendo dia a dia."

Histórias em ruínas recompõe o final do século XX, o totalitarismo é um exemplo disso como o é em Tempos frágeisDessa forma, a autora nos coloca diante de dezoito contos curtíssimos, onde faz questão de manter a conexão com o real transfigurando seres e situações. É assim quando o Mick Jagger visita o Rio Grande! É assim o quotidiano feminino de Rotação feminina da terra. São assim as contradições de Enrodilhada nas contas.

Suas pessoas ficcionais são seres condenados à vida, espreitados pela solidão e, não raro, pela morte, flagrados por um estilo notadamente pessoal, realista, direto, sem muita elaboração de linguagem, a não ser em O Caracol e o ar, em que se concede a liberdade de introduzir neologismos.
Não há revelações nem pequenas sutilezas nos contos. Há, isso sim, e aí reside, por ventura, a importância da literatura de Marilice Costi, a indignação transformada em conto, na tentativa de acordar a nós, leitores, atores sonambólicos e indiferentes a estes tempos frágeis, os nossos.

Definitivamente, a autora já disse a que veio. E veio com força e qualidade. 

(a) Jane Tutikian, escritora, patrona Feira do Livro de Aorto Alegre

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